Opinião | Um país de mentiras
Todo país tem seu lado negro, sua história oculta. E todos tentam mostrar somente aquilo que interessa. Até aí tudo bem.
A Argentina tem suas virtudes. Mesmo caindo aos pedaços, ainda tem seu sistema de educação gratutio universal funcionando. A saúde pública, se bem terceiro-mundista, sem recursos etc, é compensada com um atendimento, em geral, muito humano.
Agora, um país que tem suas estatísticas oficiais visivelmente manipuladas pelo governo perde o respeito. O Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censu) vem a cada mês divulgando dados como o da inflação bem menores aos reais, e aos medidos por empresas privadas.
Segundo o Macrismo, ou melhor dito, o próprio Maurício Macri (ex-presidente do Boca Juniors e atual governador da cidade de Buenos Aires), o Kirchnerismo acabou. Isso foi evidente nas eleições legislativas, onde o ex-presidente Néstor Kirchner perdeu a disputa para o senado, ao qual se postulava pela província de Buenos Aires, e pela cidade de Buenos Aires, o governo também perdeu.
Naquilo que é mais próximo aos olhos portenhos ou bonaerenses, ainda dá pra se medir ou estimar certos acontecimentos. O preocupante é o que pode vir a ocorrer em províncias paupérrimas como de Santiago del Estero ou Santa Cruz, onde o Kirchnerismo é massacrante. Sabe-se de índios que têm documentos “confiscados” e perdem o poder do voto, e até mesmo de cidadãos sem muito esclarecimento, que em pleno século XXI ainda vivem sob condições de vida muito similares àquelas do início do séc. XIX.
Enfim, se bem a Argentina tem sua faceta européia, branca, culta; não deixa escapar seus rasgos fascistas e soberbos. Do outro lado está a Argentina pobre, indígena, e sem acesso à educação pública sequer.
Caminhar por Belgrano, Palermo, Recoleta ou San Isidro e outros lugares da Zona Norte, é fingir que está na europa, enquanto percorrer Caballito, Barracas ou Avellaneda e outras zonas do sul do conurbano, é ver de perto o estado crítico deste país.
A economia daqui é regulada pela cabeça de cada um. Os preços sobem, porque sobem. Nunca abaixam.
Nesse ritmo inflacionário à moda década de 80, os preços vão subindo, e a moeda perdendo cada vez mais valor. Hoje, 1 Real = 2 Pesos; 1 Dólar = 3,80 Pesos; 1 Euro = 5,40.
É uma pena ver a Argentina, um país que apesar de tudo tem ainda um grande potencial, caminhar retrogradamente enquanto o vizinho maior caminha, mal ou bem, progressivamente.
Publicado no emPetrópolis.com em 26 de Julho de 2009